sábado, 16 de janeiro de 2010

"E se Roger Federer não existisse?"

Começo hoje a primeira de várias colunas "E se..." do Blog 40/0. Todo sábado escreverei sobre essas questões mais "filosóficas", que vira e mexe perturbam nossa mente tenística.

Decidi começar falando sobre um dos melhores jogadores da história do tênis (senão o melhor) e que dominou a primeira década do Século XXI: Roger Federer




"E SE Roger Federer, por algum motivo, não existisse?"

Me vi pensando nesse assunto pouco tempo antes de decidir criar este blog e começar a escrever sobre tênis. Se Federer não existisse, o que ocorreria no circuito profissional? Que visão teríamos sobre Rafael Nadal? O quão importante o suiço é para o tênis? Confesso que minhas conclusões foram demasiadamente fortes: O mundo do tênis estaria sendo visto por uma perspectiva totalmente diferente do que vemos hoje, se os pais do suíço nunca se encontrassem ou, pior, se Roger Federer desperdiçasse seu talento em alguma outra profissão.

Para começar, acredito que, sem Federer, Rafael Nadal ganharia um enorme destaque e seria conhecido como "o homem que aprimorou o preparo físico no tênis". Nadal teria 8 Slams (os 6 que atualmente possui e mais os 2 Wimbledons que Federer o tomou em 06 e 07) e o seu estilo de jogo serviria de espelho para as futuras gerações. O preparo físico, a força, e a regularidade ia sobrepor a técnica e ao estilo ofensivo do tênis (o que está acontecendo pouco a pouco, mesmo com Federer). No entanto, não acredito que Nadal seria considerado o maior da história, e tampouco seria idolatrado pela mídia e pelo público, fazendo com que o tênis perdesse um bocado de interesse do público e, consequentemente, dinheiro.

É bom lembrar também que várias pessoas têm uma certa dúvida quando falamos sobre a enorme superioridade do suiço: Ele é realmente tão bom, ou os adversários que não acompanharam o nível técnico dos jogadores da década de 90? Sem Roger Federer, falaríamos que toda a geração dos anos 2000 não acompanharam os mestres dos anos 90? Ou aceitaríamos que o tênis mudou, e que é preciso correr como o diabo e ter uma baita regularidade para ser competitivo? Estou mais propenso a acreditar que aceitaríamos que o tênis mudou.

Enquanto escrevo essa coluna, me ocorre o seguinte pensamento: Nem mesmo Roger Federer está sendo capaz de mudar o curso do futuro tênis mundial.Tudo o que escrevi nos parágrafos acima está acontecendo. Hoje, a primeira coisa que a criança aprende ao entrar na aula de tênis é usar o backhand de duas mãos (golpe relativamente mais defensivo, pois favorece mais controle e menos potência). Quando mais velhos, passam horas e horas aprimorando o físico. E, para mostrar o defensivismo da coisa, um jargão que é utilizado nos pontos importantes nos juvenis é: "Bota a bola na quadra. Deixa o outro errar." É, realmente, Roger Federer é o oásis do tênis clássico e plástico em meio ao deserto dos "tenistas modernos", e nem mesmo ele conseguirá mudar o futuro do tênis.

PS: Sei muito bem que Federer possui um ótimo preparo físico e uma baita regularidade, mas não credito isso como os aspectos principais de seu jogo: A técnica e a movimentação. Quando ele aposentar, aí sim o tênis passará a ter somente aquele estilo defensivo que citei acima (a não ser que apareça outro Roger por aí...).

PS 2: Ainda bem que Roger existe. Aproveitem enquanto é tempo.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Para os admiradores de um bom tênis.

Um dos meus sonhos é bater uma bola numa quadra de grama. Não me canso de imaginar como seria o kick da bola ou a velocidade do jogo numa quadra tão sagrada e tradicional como a quadra de grama. Felizmente, a arte de imaginar fica cada vez mais fácil, é só ir no youtube e ver o que quiser.


Achei esses videos acidentalmente, no canal oficial do Andy Murray no youtube. Nos dois videos é possível ter uma noção da velocidade da bola e da potência dos golpes de um top-5.




Análise de Chave: Austrália Open


Saiu a poucos instantes a chave do primeiro Grand Slam do ano. Uma chave interessante e que deverá revelar ótimos jogos desde as primeiras rodadas. Para conferir, clique aqui: CHAVE AUS OPEN

Fiz uma análise das chaves até as semi finais, destacando os quatro cabeças-de-chave. Creio que dos quatro melhores rankeados, Del Potro foi o que pegou a chave mais dura, em seguida de Federer, Nadal e Djoko, que tem a chave mais fácil até as semis.

Se me perguntassem os favoritos, eu diria: Davydenko, Federer, Nadal e Roddick (Não sei porque, mas tenho um pressentimento bom em relação ao torneio do Roddick. Espero estar errado, certo Bellucci?XD)

Roger Federer: Tem início bastante complicado contra o perigoso russo Igor Andreev, que já o levou para o quinto set no US OPEN de 2008. É bom o suiço estar atento. Na terceira rodada pode encarar seu freguês ex-número um do mundo Lleyton Hewitt. Uma das maiores pedreiras vem nas quartas de final, onde deve encarar Nikolay Davidenko. Na semi, provavelmente enfrenta Novak Djokovic ou Robin Soderling.

Rafael Nadal: Começa com duas rodadas relativamente tranquilas, para encarar na terceira rodada Jonh Isner ou Philipp Kohlschreiber. Nas oitavas pode enfrentar Monfils, Stepanek ou Karlovic, mas, assim como Federer, um dos principais desafios será nas quartas de final, onde deve encarar Andy Murray. Na semi, deve jogar com Del Potro ou Roddick.

Novak Djokovic: Tem vida tranquila até as oitavas, onde deve medir forças contra Robredo ou Gasquet. Nas quartas pode encarar Soderling ou Tsonga e, se passar, muito provavelmente enfrentará o vencedor de Federer e Davydenko.

Juan Marin Del Potro: Estréia contra Michael Russel (É! Aquele mesmo que teve match-point contra o Guga no RG 2001) e encara uma pedreira na segunda rodada: Blake ou Clement. Se passar, pega Wawrinka ou Gonzalez Nas quartas deve encarar Berdych ou Roddick. Passando, deve jogar contra Nadal na semi.

Thomaz Bellucci: Não deu muita sorte. Sim, é verdade que ele vai ter uma estréia razoável (contra Teimuraz Gabashvili), mas, se ganhar, já encara o embaladíssimo Roddick. Uma pedreira. Se conseguir devolver bem (o que não é uma qualidade de Bellucci) pode conseguir equilibrar a partida. Se ganhar, tudo pode acontecer.

Marcos Daniel: Chave semelhante à chave de Thomaz: Tem uma primeira rodada "ganhável"(contra Alejandro Falla), mas se ganhar já encara o poderoso Soderling.

JOGOS QUE DEVERÃO ACONTECER ANTES DAS OITAVAS QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER:
Roger Federer vs Igor Andreev - 1a Rodada
Radek Stepanek vs Ivo Karlovic - 1a Rodada
Rainer Schuetller vs Sam Querrey - 1a Rodada
Mikhail Youhny vs Richard Gasquet - 1a Rodada
Nikolay Davidenko vs Carlos Moya - 2a Rodada (80%) -
Gilles Simon vs Marcos Baghdatis - 2a Rodada (90%)
Tommy Haas vs Janko Tiprasevic - 2a Rodada (90%)
Thomaz Bellucci vs Andy Roddick - 2a Rodada (70%)
Fernando Gonzalez vs Sebastien Grosjean - 2a Rodada (70%)
J. M. Del Potro vs James Blake - 2a Rodada (85%)
Philipp Kohlschreiber vs Jonh Isner - 2a Rodada (75%)

A porcentagem ao lado dos jogos é a chance do jogo ocorrer (na minha humilde opinião)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Será o fim da Copa Davis?

Li ontem no site da TenisBrasil que a ATP está com o mais novo projeto para enxugar o calendário do tênis masculino: Acabar com a Copa Davis e Implantar uma "Copa do Mundo de Tênis" a cada 2 anos, que seria formada por 32 países divididos em oito grupos de 4. Esta competição seria jogada em apenas 10 dias, o que exigiria muito menos tempo dos tenistas.

O problema disso tudo é que a Copa Davis é um torneio organizado pela ITF (que também organiza os Grand Slams) e, obviamente, ela não vai abrir mão de sua segunda maior vitrine em prol de um menor esforço para os tenistas. Haja confusão.
Desde os tempos de Pete Sampras e André Agassi que os jogadores tops não participam efetivamente da Davis, alegando cansaço ou algo do gênero. Os jogadores mudam e a desculpa é a mesma: Roger Federer e Rafael Nadal raramente jogam a Copa Davis, fazendo com que a ITF se contente em ver jogadores do "segundo escalão (entre os 10 e 30 do mundo)" na maioria dos confrontos. Não que esteja criticando os jogadores tops, estou apenas expondo alguns fatos.

Embora veja com bons olhos a criação de uma nova "Copa do Mundo de Tênis" a cada dois anos, não acho uma boa idéia que ela seja disputada durante somente 10 dias. 10 DIAS! É muito pouco tempo para os 7 confrontos que serão necessários para o campeão e vice da competição, considerando que um confronto normal da Copa Davis dura 3 dias. Talvez com um mês de competição (como a Copa do Mundo de Futebol) a coisa funcionaria. Mas, que mês?

É necessário refletir muito para que mudar algo no calendário do tênis mundial, e também é injusto abolir uma das mais tradicionais copas do Tênis. Se me perguntassem o que fazer, diria que o ideal seria reformular um pouco a própria Copa Davis, deixando ela mais atraente tanto para o público quanto para os jogadores, maaas, eles não vão me perguntar... rsrs